terça-feira, 2 de março de 2010

Pois é...



Vim de cidade grande. Nasci em São Caetano do Sul, SP. Estava sempre em contato com italianos, falava um português italianado que só quem viveu a vida perto de italianos aqui no Brasil conhece... e nem se dá conta. Pois então, eu falava italianado quando era criança e não sabia disso. Até que vim morar no interior... há 30 anos.

Preconceito? Sei sim o que é isso. E eu não tinha uma religião
diferente, nem sou tão diferente assim, vai. Só que eu era um ET no meio de outras crianças que viviam aqui no interior há 30 anos e que de forma alguma estavam acostumadas a falar nem ouvir falar do jeito que eu falava. E eu achava o jeito delas falarem horrível... assim não sentia tanto quando elas me apontavam dizendo: -
Ói como qui ela é branca! Lumeia! Ô espichada! Sã, você num si pareci nada com a gente... e lá ía eu pro canto e, se brincava na escola, sempre alguma inspetora ficava por perto prá evitar que eu machucasse os
pequeninos... e eles tinham a mesma idade que eu.

Eu só era 20 a 30cm mais alta, mas isso nem era problema... o problema maior é que eu já estava alfabetizada, montando frases, lendo e escrevendo e eles ainda no
vovó vê a uva... e a professora me excluía para não desestimular os demais: eu não podia mostrar o quanto eu sabia, pronto!

Vivi 1 ano e meio desse jeito até que mais uma menina de São
Paulo veio estudar naquela escolinha. E eu fiquei tão feliz! Ela
era mais ou menos do meu tamanho, falava do mesmo jeito! E ela também gostou de me encontrar ali, a gente falava das mesmas coisas, brincava do mesmo jeito, tinha pais operários, não era filho de fazendeiro nem dono de alambique...

Não demorou nada para que outras crianças nos achassem metidas, esnobes, e assim elas começaram a nos excluir de todas as brincadeiras possíveis, fazendo com que a gente se unisse ainda mais. Assim, diante dessa postura "racista" dos demais, eu e ela comprávamos o lanche uma para a outra, nós nos ajudávamos uma a outra com as lições, com o entendimento das aulas, sentávamos juntas... e resolvemos criar um grupo restrito, onde taubateanos "autóctenes" não entravam!

Com o tempo mais gente foi chegando e nós ciceroneávamos os recém chegados. A Ford de Taubaté chamava o restante do quadro de funcionários, assim como a Volkswagen. Já não éramos alguns mas uns poucos que com o tempo se tornariam muitos e aos poucos, a sensação de precisar da companhia dos "iguais" foi passando... mas foi bem forte no começo. E aos taubateanos não restavam muitas opções não: era só nos aceitar ou viver correndo da gente...

Até hoje eu destôo da gente daqui. É uma questão genética, ser alta, ter uma cultura diferente, gostar de coisas diferentes. Já não me apontam mais na rua, nem eu me sinto excluída. Mas ainda é um prazer imenso conhecer gente que é da minha terra... e é um prazer maior ainda ouvir o sotaque tão peculiar do pessoal mais velho de São Paulo quando eu vou prá lá, aquele jeito italianado, cantado e gritado de falar.

Isso lembra alguma coisa? Lembra sim... que muitas vezes os
diferentes que são iguais em alguma coisa se vêem forçados a formarem grupos para sobreviverem em meio aos demais diferentes. Com os judeus não tem sido diferente disso... nem com os brancos vivendo num países de negros, nem com negros vivendo em países de brancos, nem amarelos vivendo em meio a nórdicos, nem com ateus vivendo no meio da crentaiada... é assim. Somos esnobes, metidos, excludentes e excluídos: somos OS DIFERENTES! E se quiserem fazer parte, não dá, infelizmente, já que não se pode mudar a ascendência genética, os costumes enraizados, o conjunto de crenças só por opção. Tem que fazer parte, ou não...

Postado em abril/2003 - Lista Noosfera - Yahoogroups

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Excertos

Discussões pelo orkut...

poltergeist- O fenômeno
Pessoal, no clássico filme "poltergeist-o fenômeno", em uma das cenas é mencionado o seguinte termo: "incidente de bilocação", que pelo que entendi seria uma abertura entre o nosso mundo e uma dimensão paralela ou o mundo espiritual como queiram. Pra quem não assistiu ao filme, é através dessa passagem que uma parapsicologa com a ajuda de uma médium consegue trazer de volta a pequena "carol Anne" para o nosso mundo. O que voces acham? Já ouviram falar desse incidente? É possivel acontecer isso, ou é apenas roteiro de cinema?



Essas "batalhas" todas se dão no íntimo. Não há necessidade de "portais". O que acontece é que para quem faz o filme ou narra a história em terceira pessoa, a possibilidade de existirem tais portais e mundos espirituais ajuda a colocar as coisas numa perspectiva compreensível para quem está lendo ou assistindo. O problema está no fato das pessoas preferirem acreditar na existência real desses recursos de linguagem ao invés de experimentarem por si mesmas do que se trata essa percepção do "outro lado". A percepção do mundo ao redor passa pelo crivo cerebral, sempre. E quaisquer cisões, bilocações, não são possíveis fisicamente. Só no interior da mente de cada um. E isso ainda SE houver predisposição da pessoa conseguir fazer essa dissociação.

O uso de algumas drogas pode induzir esse estado de percepção de "duas realidades". Mas isso, como no caso de envesgar os olhos e ver duas imagens, deve-se à perda momentânea ou não da capacidade do cérebro interpretar os estímulos sensoriais de forma coerente enquanto cria a percepção do momento presente. Durante todo o tempo em que passamos no estado de vigília - acordados - nosso cérebro é responsável por interpretar todos os estímulos do ambiente captados pelos sentidos da visão, audição, tato, gosto, cheiros. Se não houver um acordo entre o que é captado pelos sentidos e a interpretação final do cérebro, temos como resultado alguma alteração do que é percebido. Assim que se criam as alucinações, sensações bizarras de estar em dois ou mais lugares ao mesmo tempo, de ver pessoas que já morreram, de ouvir sons estranhos, "cheiros fantasma". Há quem, com base nisso, acredite que existe uma "outra realidade". De fato, se o cérebro não estiver capacitado a perceber a realidade como um todo coerente, a sensação de que "existe muito mais além" é bem "real". Mas isso não implica dizer que há "algo além". Só que, em determinado momento, houve uma ou várias falhas na interpretação dos estímulos pelo aparato sensorial e cerebral.

Mas então????Como o Universo teve a capacidade de criar esse "poder" que é o nosso cérebro?Esse poder da mente humana? De onde vem essa capacidade mental que todos temos mas por poucos é conhecida?

Bem, o universo, por si só, é muito complexo. A matéria, por si mesma, é extremamente plástica e estranha quando se analisa a "tecitura" da mesma, o mundo das subpartículas que estão lá todo tempo mas que dependem de imensas quantidades de energia para serem libertadas das estruturas atômicas e moleculares que permitem a criação de mundos como o nosso, galáxias com centenas de bilhões de sóis, seres vivos das mais variadas formas e tamanhos a partir de moléculas replicantes, como é o caso do DNA. E pensar ainda que toda essa complexidade surgiu de um ponto infinitezimal é de fundir o cérebro de qualquer pessoa. Mas nem por isso há a necessidade de um artífice, de um regente, ou mestre de obras.

O que se sabe é que nós somos resultado de sequências de eventos desde o princípio, que gerou condições para que houvesse formas de vida, inicialmente unicelulares como bactérias, que vêm evoluindo e adaptando-se às condições deste planeta desde há muito tempo atrás, algo em torno de 3,5 bilhões de anos. O que se sabe também é que formas de vida primitiva como bactérias extremófilas podem sobreviver às mais variadas condições climáticas não só daqui da Terra e podemos descender delas.

O funcionamento do cérebro é incrível sim. A mente humana, fruto direto desse funcionamento é sim uma maravilha à parte. A consciência emergindo como resultado do funcionamento de cérebros complexos como o nosso é fascinante. E a falta de respostas para nossa condição de possuidores dessa maravilha a nosso serviço é insaciável fonte de especulações. Se acreditar que toda essa complexidade que se estende desde as mais ínfimas partículas deste universo até a própria estrutura universal, passando por cérebros de seres vivos das mais variadas complexidades e graus de consciência, foi criada por "Deus"for uma resposta suficiente pra você, como eu ou qualquer outro pode dizer o contrário disso?

O máximo que eu posso fazer é mostrar que não é tão simples contentar-se com "Deus criou" quando se dá início à busca por entendimento "do que é tudo isso afinal de contas" e continuar sem respostas, uma vez que qualquer deus capaz de criar um universo tem de ser também extremamente complexo e detentor de infinitos atributos... O meu erro, no caso, seria perder a chance de buscar respostas concretas sobre What the f*ck this all means para dar prosseguimento à lista dos bilhões de nomes de Deus, aos infinitos atributos do Totipotente...

Evolucionismo x Criacionismo

Introito:

No princípio, tudo era simples: Deus havia criado os céus e a terra... plantas para ornamentar sua criação, animais para povoá-la, o ser humano feito à sua imagem e semelhança para reinar sobre toda a obra deixada a partir de então à mercê de seus caprichos... porém, um detalhe pôs tudo a perder nos perfeitos planos divinos. Sua obra máxima, o cetro e a coroa de sua criação resolveram insurgir-se contra suas ordens... e eis que Ele teve de expulsá-los do paraíso perfeito, abortados de Seus planos de felicidade eterna e vida harmoniosa, pois comeram do único fruto proibido: o fruto do bem e do mal. A partir disso, Homem e Mulher aprenderam a duvidar e a questionar, aprenderam que teriam que lutar pelo seu sustento, pela sua felicidade... aprenderam que teriam que aprender como o mundo funciona...

Muita gente pode ler essas linhas acima e pensar que eu estou de brincadeira com o que está nas escrituras do velho testamento bíblico. Na verdade não é uma brincadeira, apenas uma tentativa de introdução. Estórias como esta que são contadas em cursos de catecismo, que são lidas em voz alta pelos pastores em seus púlpitos diante de uma platéia aturdida, têm um certo papel a cumprir. Vêm ao encontro do desejo humano de conhecer suas origens e entender o que está fazendo vivo num mundo que parece não ter sido feito para ele... e foi assim, com a "assinatura divina", que tais escrituras chegaram até nós trazidas de milênios atrás através dos tempos para que de certa forma, nossas dúvidas fossem sanadas sem que continuássemos incorrendo no erro daqueles que são tidos por nossos pais bíblicos, a imagem e semelhança de Deus, Homem e Mulher que pecaram por não obedecerem, lançando sua descendência neste vale de lágrimas... Seria assim que a história de nossa espécie estaria sendo contada até hoje caso não tivéssemos dado um basta ao conhecimento imposto e buscado respostas por nós mesmos...

Não é difícil dar início a um questionamento ininterrupto. Basta, para tanto, que a primeira pergunta leve a mais perguntas e estas, ao serem respondidas, gerem mais dúvidas que certezas e consequentemente mais perguntas. Durante algum tempo que se estendeu por séculos, nossa civilização ocidental acatou cegamente aquilo que lhe foi ensinado por aqueles cuja finalidade era espargir o conhecimento adquirido através do que se denominava "inspiração divina". Acredita-se que a bíblia inteira tenha sido escrita sob tal inspiração, daí sua importância durante o longo tempo em que as idéias eram dogmas e, consequentemente inquestionáveis, empurradas goela abaixo daqueles que se aventurassem a buscar compreender alguma coisa. Porém, ainda que certos de incorrerem em "pecado", alguns expoentes humanos resolveram não mais acatar o que lhes era imposto como verdade absoluta e deram início ao questionamento de sua própria natureza, não mais com base no que está escrito... mas com base no que seus olhos atentos e um real interesse em compreender ditava. Desta feita e em meio ao conhecimento cristalizado fornecido pela Igreja com base nas escrituras, que se deu início a uma grande e revolucionária jornada rumo ao desconhecido, com o firme propósito de desvendá-lo, perscrutá-lo e conhecê-lo na medida em que dispositivos de observação para auxiliar a análise foram sendo desenvolvidos. Estava dada a largada ao questionamento ininterrupto, gerador de dúvidas à espera de respostas, propulsor do que viria a ser conhecido por Ciência.

Foi assim, ao munirmo-nos da Ciência, que o princípio, o início idealizado pelos supostos detentores das informações recebidas diretamente de Deus foi revisto, questionado e até certo ponto desmentido, não sem antes ser rechaçado pelos que crêem que não há verdade fora da Igreja... uma celeuma geradora de frutos que, à maneira do que está escrito, também expulsa o Homem de seu lugar privilegiado lançado-o no roldão dos seres criados, não à imagem e semelhança de um Deus, mas de acordo com as possibilidades de um mundo, que se descobriu estar em constante evolução. Mais uma vez o ser humano vê-se abortado dos planos divinos e lançado ao mar das intempéries, nu, desparamentado de sua realeza em relação aos demais seres vivos e à mercê da incerteza. Porém, antes de sentir-se órfão e desprovido de recursos para administrar o porvir, resolveu encarar o novo mundo povoado de animais extintos que o precederam no cortejo da vida e, através do estudo de tais seres, vem buscando a sua própria origem em meio aos escombros do passado.

E é assim que nossa história da criação com bases científicas e sem dogmatismo vem pouco a pouco sendo escrita. Dados os avanços científicos, podemos hoje aventurarmo-nos na tentativa de reescrever o que está escrito. Mas ao contrário da Gênese Bíblica esta estória ainda não tem fim... e:

No final, nem tudo será tão simples. Por certo não houve uma criação de céus e terras num princípio mas a partir de um evento de proporções cataclísmicas a estender-se até hoje, audível na radiação fóssil de fundo, cujo resultado é o universo visível composto por milhões de galáxias. Nosso mundo em seu nascimento em nada se parecia com o que vemos hoje, era quente, formado a partir dos restos da formação de nosso Sol orbitando à revelia, sendo amalgamado a partir das colisões de pedaços grandes e pequenos dessa matéria ensandecida. No correr de milhões de anos foi-se esfriando na superfície, dando origem a um árido e infernal cenário, sucedido por um período em que do acúmulo de gases, fez-se a chuva a cair ininterruptamente por milhares de anos. Vez por outra mais pedaços dos escombros da formação planetária chegaram a colidir com este mundo em formação, alimentando-o com mais matéria prima. Foi assim que no correr de muito mais tempo, em algum local apto a servir de berço que a vida surgiu... e o mundo, nunca mais foi o mesmo....

Lígia Amorese

O Pensamento Mágico

Nietzsche já dizia: "Não há fatos, apenas interpretações". Eu concordo com ele...

Esta é uma história de forças arcanas. Segundo a interpretação do dicionário, Magia vem do Grego Mageia. É um substantivo feminino referente à Arte Mágica, ou à Religião dos Magos e, num sentido figurado, é a sensação ou sentimento que se compara aos efeitos da magia; fascinação; encanto. Assim temos que o estado de encantamento diante algum fato é mágico, perceber-se vivo e fascinado com a vida é estar vivendo a Magia; sentir-se fascinado e/ou encantado é experimentar a sensação de estar sob os efeitos da magia... Viver e perceber-se vivo é Mágico...

Concordo: logo o arquétipo do embusteiro, do charlatão, daquele incauto que vendeu a alma ao demo, da bruxa e seu caldeirão de sortilégios, do crédulo em símbolos arquetípicos e praticante de rituais exóticos saltam às vistas à mais leve menção da palavra "Magia" e isto não é um fato isolado: para a maioria das pessoas são esses os símbolos ligados a esta palavra. Aliás, parece que é bem isso que se deseja que se pense. E é aí que a citação de Nietzsche ganha uma conotação visionária... as interpretações tomadas por fatos encapsulam a amplitude dos termos desviando os olhares para a cortina de fumaça lançada enquanto a raiz, a mola mestra, permanece inatingível ao olhar do leigo. Retirar essa raiz do solo das interpretações e ruminá-la deveria ser a postura de quem deseje realmente compreender o que move o mundo, de tal sorte que nada escape à compreensão, nem mesmo aquilo que não tem explicações científicas ou que deliberadamente calque-se na fé cega de seguidores de cegos.

Existem religiões. A que se destinam? "Re-ligar" o ser humano às suas origens. Ótimo que estejamos estudando exatamente as origens quando exploramos a natureza dos átomos, as bases materiais de todas as estruturas que conhecemos neste mundo, a natureza das partículas que estruturam a matéria de que somos feitos e sim, não se sabe muita coisa a este respeito além do fato de sermos um sub-produto de matéria estelar lançada no espaço através de explosões cataclísmicas que envolvem a morte de estrelas supermassivas... assunto árido quando comparado à extensa obra cosmogônica espalhada pelos 5 continentes muito mais apetitosa, envolvendo batalhas no céu, envolvendo heróis, forças da natureza na forma de deuses, anjos e demônios, remetendo ao pó o que do pó veio. O que se nota é que a vontade de entender o que somos transcende barreiras culturais e praticamente todas as nações do mundo de todos os tempos têm em seu cerne aglutinador a mitologia "nativa" como base para a compreensão da origem e dos fins disso que a gente chama de existência. E de uma forma nada impossível de ser explicada, existe em praticamente todas as lendas envolvendo a criação, a idéia de uma origem, um princípio que vai do ovo cósmico à separação de terras e águas. Com certeza, isso surge com base na observação da natureza, onde tudo nasce, cresce, envelhece e morre.

Tem sido dessa forma que, à maneira de Hermes Trimegistro e suas Leis Herméticas, legadas ao mundo num período onde já se dominava a escrita, viemos emprestando ao universo a visão humana e vemos através de nossos olhos atônitos uma ordem para qual não fomos criados à imagem e semelhança mas que tão somente reflete a nossa imagem "Assim acima como o é abaixo"... E eis a raiz do pensamento mágico, do universo centrado no umbigo de quem o observa e sofre as influências do portador de tal umbigo, da mesma forma que o portador sofre as influências de tal universo num processo simbiótico. Sim, evoluímos desde então e, a partir dos estudos sobre o comportamento humano, esse pensamento está ligado atualmente à mentalidade que temos no início de nossas vidas. A infância é o período onde o mundo gira ao nosso redor e sentimos que tudo podemos dentro desse mundo: à mais leve menção de água, logo um copo cheio aparece do nada e vem matar a sede... ou falar em papinha, já traz um prato com uma colher e mão empurrando o alimento para dentro. Quando isso é possível, a criança sente-se munida do poder de conseguir o que quer mediante a atenção e o zelo de seus pais que tudo observam, desde a mais ínfima manifestação de desconforto aos protestos mais eloqüentes. Bem entendido: quando estes estão atentos.

Pois bem, a criança cresce e aprende que nem tudo está de acordo com aquela sensação de supremacia que envolvia seus primeiros anos de vida... aprende a interagir com outros membros que não lhe atendem as necessidades imediatas, o que pode gerar um sentimento de revolta e a busca pela satisfação imediata de seus desejos independentemente das condições do meio em que viva, o que então levaria tal indivíduo a pretender resgatar aquela sensação da infância na fase adulta ao tratar com supostos pais "supra humanos" que estariam atentos a tudo, beneficiando os mais bonzinhos e castigando os maus. Em linhas gerais e de forma beeeem resumida, esta seria a "visão" do pensamento mágico a partir da compreensão do comportamento humano. Embora muitos franzam os narizes ao serem comparados com crianças, não se pode fugir: parece que é somente este desejo de viver conforme a própria vontade o que anima tais seres em suas buscas e criação de dogmas e crenças das mais bizarras.

O umbigo do mundo...

Inquietude é o que me assalta quando eu vou em busca do algo mais que acaba invariavelmente sendo lançado para debaixo dos tapetes quando se deseja apenas descartar esse "pensamento mágico". Sim, já se foi o tempo em que explicações simples com base em contos e histórias da carochinha podiam satisfazer a ânsia de entendimento mas mesmo com todo aparato tecnológico de que dispomos hoje em dia, apenas alguns centímetros têm sido efetivamente caminhados no sentido de explicar alguma coisa de forma contundente e irrefutável quando desviamos os olhos daquilo que é palpável e quanto mais se observa o mundo, mais atônitos ficamos ao depararmos com a infinidade tanto acima quanto abaixo: do micro ao macro, tudo demonstra que infinito é um termo vago porém completamente aplicável... não conseguimos juntar as peças soltas apesar dos esforços em chegar-se a uma teoria da unificação. E o que falta afinal? A partícula de Higgs, supostamente responsável pela "criação" da massa dando peso e forma às estruturas complexas? Ou não seria isso apenas trocar os nomes de deuses de nossos antepassados por forças e partículas do tipo "peças chave" que desconhecemos na totalidade mas que percebemos que atuam de forma precisa em nosso universo observável?

Até onde sei, a ciência estrutura o universo em que vivemos sobre os pilares de quatro forças a saber: forte e fraca (relacionadas ao mundo atômico), eletromagnética e gravidade (do mundo visível). Esses quatro "deuses da criação", loas, ou qualquer outro nome que se dê a elas, vêm trocando de vestimentas desde que começamos a buscar respostas: lá estão os 4 elementos - água, terra, fogo e ar, lá estão os símbolos da matéria com base no quadrado, no número 4 associado ao mundo material em numerologia com bases na Cabala Hebraica, lá estão os rituais mágicos envolvendo os 4 pontos cardeais... o mundo parece centrado no 4 e as quatro forças da natureza, peneiradas e retiradas dos entulhos de milênios de tentativas infrutíferas e sedimentares de compreensão na base da observação intuitiva e ritos levados adiante oralmente, não deixam mentir... Existe toda uma simbologia envolvendo círculos, cruzes, linhas retas e espirais utilizados desde as mais remotas eras como referência a mundo, deuses, homem, mulher e suas ligações com as divindades que remontam as mais antigas eras de nossa humanidade. Há ainda um que eu guardo comigo como um talismã, bem escondido dos olhos dos curiosos a fim de não levantar suspeitas... estou falando do Pentagrama envolvido pela singeleza de um fino círculo, o símbolo ligado à magia, à compreensão da natureza do universo onde, encimados pela alma humana, os 4 elementos rendem-se ao mesmo tempo em que dão estrutura ao que os encima. Não parece à toa que o associemos à própria estrutura anatômica de nossos corpos físicos com 4 membros e uma cabeça encimando as ações desenvolvidas por estes membros, cercado pela linha do horizonte a estender-se de maneira circular de onde quer que observemos... e bem ali no meu Pentagrama o universo é um círculo de raio infinito centrado no ser humano, cuja mente domina os 4 elementos...

Ora dirão "mas é só um símbolo". E é mesmo... mas o pentagrama expressa algo que faz uma diferença e tanto quando buscamos a simplicidade de conceitos cada vez mais diluídos e desprovidos de existência própria e inviolável. Ele declara uma ordem vinda da mente humana que é obedecida pelos elementos, ele declara a integração homem-universo, alertando que, para a compreensão do mundo, não devemos descartar aquilo que lhe dá estrutura e empresta inteligência através da capacidade de perceber padrões... Sim! A inteligência de quem contempla o mundo é o quinto elemento estruturador, ao perceber-se sob o efeito da Magia de estar vivo. Simples assim, fácil assim... todo conhecimento trancafiado às sete chaves durante o tempo de perseguição aos que compreendiam essa natureza de inter-relação da mente com a existência do cosmo em contraste com o caos, disposto num símbolo singelo. Sem a mente que o contemple, a ordem no universo não existe. E isso é tão óbvio que até parece que todo mundo que já ousou tomar conhecimento dessas coisas já assimilou isso... ledo engano. Ficam adorando seus bezerros de ouro, lustram os tais bibelôs que criaram para adornar estantes e prateleiras empoeiradas dos conhecimentos arcanos sem atinar para isso... E até a Bíblia tem pelo menos duas citações dessa natureza no velho e no novo testamento: "Ele disse: Vós sois Deuses"... Talvez o que mais perturbe a compreensão de algo tão simples seja o sentido de "deuses" numa afirmação dessas. Sempre tem todo o significado que é dado ao termo, toda a definição, etc, etc, etc... o nome está viciado. Então, sem deuses a mesma frase fica:

Per aspera ad astra...

O que seria um Mago afinal? Alguém que entendeu isso de forma direta e, sem render graças a mais ninguém, é seu próprio mestre e discípulo, alguém livre... Mas por que ainda há tanto a que se prender nesse caminho? Durante séculos, por medo de serem flagrados em suas práticas, os Magos e bruxos criaram códigos e métodos de decifração de tais códigos para que apenas os "iniciados" tomassem conhecimento do que estava sendo ensinado. Talvez algumas chaves de interpretação foram perdidas e tudo o que se tem hoje em dia são inúmeros fragmentos de verdades escritas de difícil entendimento sem as tais chaves mas que são levadas adiante, principalmente por aqueles que ainda estão mentalmente na infância e desejando modificar a vida mediante a aplicação de fórmulas...

Por incrível que pareça, há uma resistência imensa quando o assunto é simplificar para poder assimilar. Quando a minha razão entrou nesse mundo de pretensos Magos, de repente foi como se eu estivesse tentando tirar uma carta de uma pirâmides de cartas de baralho e, com isso, provocasse a ira de tais criaturas aferradas aos seus conhecimentos capengas e caros conceitos complicadíssimos adquiridos às duras penas durante anos de restrições na base das meditações e práticas muitas vezes esdrúxulas e desprovidas de sentido pela falta de compreensão. Com surpresa, constatei que elas literalmente montam guarda ao redor dessa estrutura, impedindo o acesso ao "leigo" e curioso, chamando-o de "lêndea", "parasita" e outras gracinhas... Foi assim que eu, uma curiosa, durante alguns meses tive que me confrontar com centenas de deuses em seus panteões alinhados e imbuídos de seus emissários, anjos e demônios, mobilizando céus e infernos ao evocarem loas, ou forças ancestrais criadoras do mundo e seus poderes sobrenaturais de investir contra ou a favor dos demais seres humanos a partir de fórmulas matemáticas(?). Travei contato com monstros apocalípticos de nomes estóicos, pesadelos tornados realidade, enquanto buscava a luz em meio às trevas, choro e ranger de dentes daqueles que, pretendendo a ascensão da alma humana às altas hierarquias criadoras de mundos através de sacrifícios sangrentos para a evocação de demônios, escarneciam de mim...

Sonhos de picanha numa tarde pós-churrasco? Nada disso! Apenas meu parecer em relação às visões distorcidas e levadas adiante por quem não deseja desfazer-se da ilusão de ter acessado algum recôndito interdito aos demais mortais... mas que não passa de escritos na areia: a onda da razão vem e desmonta tudo. E estes são só os portões do conhecimento. É lógico que os cães montem guarda impedindo o acesso, afinal eles também não entraram e não se pode tomar o céu de assalto impunemente...

Intermezzo...

Sim, houve a pretensão de criar intermediários entre a verdade arcana de que somos Deuses e que nossa inteligência é a responsável pela ordem que vemos no universo e as mentes dos demais seres humanos, com o intuito de faturar... é mais do que evidente que sempre houve os embusteiros e aqueles que, munidos de suas maldições, açoitaram as massas que não tinham acesso a tal conhecimento, numa tentativa de acumularem meios de ganharem dinheiro ou favores. Uma verdadeira religião com o intuito de re-ligar e servir de ponte entre criador e criatura para os que a seguem, teria a missão de libertar o ser humano do jugo opressivo de outro ser humano, fazendo-o ver que esse re-ligar é simplesmente dar-se conta de que estamos imersos num contexto de co-dependência com o universo imediato, aquele mesmo dentro da circunferência de nosso horizonte de ação, da mesma forma que o pentagrama ilustra tão bem... O fato, ou a interpretação dessa questão é que, tendo-se valido sempre de tais intermediários, a maioria das pessoas ainda guarda consigo a sensação de não ser merecedora de compreender os mistérios, aquelas questões que não são explicadas nem fazem sentido algum a menos que estejam dentro de um contexto iniciático. É assim que deuses ganham o espaço, forças da natureza continuam a ser aplacadas mediante a encenação de eventos cósmicos com base no "Assim acima como o é abaixo". É e tem sido a ignorância e o medo de errar muito o que vem mantendo as massas contidas dentro de sistemas de crenças tão elaborados quanto for a mentalidade de seus criadores.

Também numa espécie de prolongamento da infância, cremos porque é um condicionamento de nossa própria espécie crer em alguém que consideremos superior. Somos seres hierárquicos, elegemos nossos superiores da mesma forma que nossos primos e parentes macacos... Nesse contexto, faz sentido também a fé num Deus judáico-cristão, grande patriarca, senhor supremo, o ápice da Hierarquia, que ama os bons e puros de coração enquanto aniquila os ímpios imperando, soberano em quem Lhe deposite a Fé, uma crença sem questionamentos. Faz sentido não se saber senhor de sua própria existência, não devendo a nada nem a ninguém além de si mesmo a execução de seus feitos... a ignorância ainda é o maior dos males. Sim porque só nós temos a perder ao Não abolirmos os bezerros de ouro e assumirmos nossa condição de regentes pelo menos de nossa própria vida. Sem deuses nem demônios... apenas nós mesmos.

Como no pentagrama, se dominarmos as ilusões dos 4 elementos que nos sustentam, podemos adquirir o poder de agir conforme nossa vontade e não a vontade de deuses e demônios que admitimos como regentes do mundo. É dessa forma que ateus do mundo inteiro vêm fazendo sem darem satisfação a mais ninguém além de si mesmos e daqueles que os rodeiem em seu universo de ação, por não se permitirem crer sem provas, sem bases... e são mal vistos, seres de segunda grandeza. Por que? Simplesmente porque não se prendem aos grilhões de um conhecimento castrador, não se submetem às ordens e instituições, não aceitam outro deus senão eles próprios... simplesmente porque vivem e seguem com os instintos básicos que os permitem prosseguir seguindo a única lei que impera em nosso mundo animal: a da sobrevivência, além de munirem-se da razão capaz de explicar eventos, interpretando-os e colocando ordem no caos. Uma questão de consciência... Há estudos colocando a consciência dentro do funcionamento eletro-químico de nosso dispositivo cerebral... e se assim for, a morte física representaria o fim de toda uma jornada evolutiva que culminou na criação de um ser humano com seus sonhos, desejos, ansiedades, medos, tragédias pessoais, e, mediante a perda de sua funcionalidade, reduzido a um corpo inerte e sujeito à degradação biológica retornando aos seus componentes primordiais em algum tempo de ação de outros seres vivos. É certo ainda que não se sabe se o universo teve um começo ou se terá um fim. Não se sabe ao certo o que são elétrons, nem de que forma as membranas na 11ª dimensão conseguem criar singularidades consistentes com a formação de universos, nem se existem bilhões de universos como o nosso em algum complexo ainda maior que aquilo que enxergamos... Não se sabe ao certo nem mesmo a definição de "energia". E é assim que não temos respostas a nada de forma contundente porém, sabendo que não há deus senão o homem, algum alívio ainda pode ser alcançado. Pelo menos ao seguir vivendo o encantamento, o fascínio, em suma, a Magia no dia a dia... Nada como a pretensão de tomar o céu de assalto...

Lígia Amorese ~ Março 2004

Referências: O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA - Antonio Damasio - Companhia das Letras

O ERRO DE DESCARTES - Antonio Damásio - Companhia das Letras

THE MAGICAL REVIVAL - Kenneth Grant

Sobre comportamento humano: http://www.psiqweb.med.br/cursos/pensam.htmlhttp://www.salton.med.br/principal.phtml?par=id_menu%3Dimprensa%26id_imprensa%3D62

http://www.salton.med.br/principal.phtml?par=id_menu%3Dinicial%26id_texto%3D25

Leis Herméticas: http://www.pedreiroslivres.com.br/seteleishermeticas.htm

Teoria M: http://www.damtp.cam.ac.uk/user/gr/public/qg_ss.html

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Som e a Pes

Como humanos, temos sérias limitações físicas envolvendo nossos sentidos. Não vemos além de certa faixa de espectro luminoso, não ouvimos a partir de determinados tons, simplesmente nosso aparelho sensorial foi projetado para servir a uma mente habilidosa que vem se demonstrando apta a driblar tais deficiências a partir de outras capacidades natas apenas ao nosso gênero. Mesmo assim, a curiosidade quanto a como a natureza seria caso ouvíssemos além de nossa capacidade auditiva, ou víssemos mais cores além das do espectro visível, existe... e por vezes lança-nos na pesquisa e desenvolvimento de utensílios que nos permitam burlar e extrapolar tais limites.

Fato: ondas sonoras infra-sônicas propagam-se a longas distâncias... um grito infra-sônico seria suficiente para avisar a mãe que se está chegando para o almoço ainda a caminho de casa, em outra cidade... bem, não vamos exagerar mas o caso é que elefantes fazem isso muito bem. A telepatia que lhes era atribuída há muitos anos como um meio de comunicação entre as manadas distando quilômetros de distância umas das outras, só foi explicada quando se percebeu que eles eram aptos a produzirem sons inaudíveis por nós mas que foram por fim gravados e classificados como infra-sônicos. Estava explicado um mistério que, sem querer, aponta para uma direção até então não cogitada. O que era tomado simplesmente por ・telepatia・ de tais paquidermes trata-se unicamente de eventos que fogem à nossa percepção hodierna por simples incapacidade nossa de escutarmos além de uma pequena faixa de freqüência de ondas sonoras. ・Baleias cantoras・ também fazem uso de pulsos infra-sônicos para comunicação com outras da mesma espécie... e numa extensa rede infra-sônica, habitantes submersos dos vastos oceanos do mundo comunicam-se livremente.

Burlando e extrapolando limites, nós humanos caminhamos em busca de explicações para os fenômenos que nos acometem. É da nossa natureza questionar e buscar meios para satisfazer nossa curiosidade. Assim através de estudos envolvendo tais fenômenos alcançamos um sem número de outras questões a nos impulsionar a outros patamares. É assim que nessa condição atual de entendimento fazemos perguntas cada vez mais embasadas rumo às respostas mais convincentes.

Afinal o que é a tão propalada Percepção Extrasensorial? Como o nome diz é a percepção de algo que está além do que pode ser sentido e codificado pelos nossos cinco sentidos básicos. Lembremos com base no enunciado acima, que nossos sentidos estão sujeitos às limitações auto-impostas pela evolução a fim de que pudéssemos dar continuidade a este mesmo processo evolutivo. Somos fruto de uma longa corrente de tentativa e erro da natureza que desembocou na nossa atual compleição.É da nossa natureza prática esquivarmo-nos de tudo o que não possa ser explicado de forma racional. Contudo da mesma forma, abrimos um leque de interpretações com base na mesma razão a fim de especularmos a natureza daquilo que está além do que possa ser sentido... Esta é a origem do misticismo.
Sem entrar nos meandros de tal ・disciplina・, o misticismo vem ao encontro da nossa necessidade de respostas às perguntas que fogem da natureza do que pode ser percebido pelos cinco sentidos. Mal visto, vem perdendo seu número de seguidores ao ser confrontado pela ciência e pela experimentação. Contudo, os fenômenos envolvidos no que chamamos de ・caminhos mágicos・ de entendimento acontecem... mesmo que não se possa explicá-los convenientemente.Desta feita, se algo acontece e ainda assim não se tem respostas, alguma coisa está errada. Talvez, por arrogância, não aceitemos o fato de simplesmente não estarmos sabendo formular as perguntas certas, nem talvez procurar as provas nos lugares certos.

Há que se buscar respostas com bases nas perguntas certas. Muito bem, se há freqüências no espectro luminoso e sonoro que não são captáveis por nossos sentidos, isso não implica em dizer que tais faixas de espectro deixam de existir. Mesmo sem ver nem ouvir, somos continuamente bombardeados por tais freqüências além de nossa capacidade de distinção. Por conseguinte, de alguma forma elas podem ser pressentidas por nós, ainda que de maneira tão sutil que mal nos damos conta das mesmas... assim seria o caso de muitos dos eventos envolvendo PES estarem somente ligados a tal percepção de faixas de espectro além da normalidade...

Deixando de lado a captação de luz por nossas retinas, um estudo mais aprofundado com relação ao som e sua influência sobre nossos corpos se faz necessária. O som é algo mais palpável por assim dizer que a luz, visto que provoca alterações mais sensíveis em nossos corpos que o que é meramente visível. Numa escala de sutileza, os sons aliados ao contato com outros seres e substâncias, estão muito vinculados à nossa natureza física. Eles fazem nossos corpos vibrarem com maior ou menor intensidade e é justamente nessa forma de ser percebido que eu vou adentrar.A Natureza do SomO som é uma vibração que é passada de um ponto ao outro através de átomos em um mesmo meio, ou de um meio ao outro. Quando produzimos um som em um violão, na realidade estamos apenas aplicando um efeito vibratório nas cordas distendidas através do toque de nossos dedos. O resultado que se ouve é o da corda vibrando e tal vibração ao cortar o ar circundante e ser transmitida às moléculas desse ar, atinge nossos ouvidos e é percebida como um tom sonoro. O interessante é que mesmo que não dispuséssemos de ouvidos aptos a ouvir, a vibração ainda assim seria perceptível na caixa do próprio violão, uma vez que esta também é composta por átomos e estes recebem a vibração da mesma forma, sendo o som, portanto, perceptível por nós através do contato com a mesma.

Imaginemos então o que se passa com sons inaudíveis. Nossos ouvidos não os percebem diretamente mas da mesma forma que o corpo do violão, nossos corpos são feitos de átomos passíveis de serem estimulados pelas vibrações e estas ・ressoam・ em nossos órgãos. A pergunta chave é: qual o efeito desse ・ressoar・ inaudível? Infra e ultra sons estão freqüentemente cruzando nossos caminhos: o cricrilar dos grilos à noite oferece um bom exemplo de borderline sonoro uma vez que captamos apenas a parte audível de seqüências de cri-cris que extrapolam nossa acuidade auditiva. Quando ouvimos o morcego emitindo seus guinchos, da mesma forma apenas ouvimos uma parte mínima do som que foi realmente emitido na forma ultra-sônica. E os infra-sons? Os sons ・surdos・, aqueles que apenas fazem vibrar nossas caixas torácicas ainda que não sejamos capazes de distingui-los, invadem nosso sistema físico a todo momento. O oceano de magma sob nossos pés é uma fonte de tais sons, assim como o movimento constante da Terra, explosões, batidas de tambores, tons graves num órgão de igreja, as batidas de nosso coração, terremotos...Mas bem... e quais seriam os efeitos de tais vibrações percebidas de forma indireta? Não são audíveis, portanto não há limites de suportabilidade de tais sons que sejam perceptíveis em termos de sentidos mas... o que aconteceria caso fôssemos expostos a este tipo de som por um tempo suficientemente longo e numa freqüência perceptível como uma vibração poderosa em nossos corpos?

A pesquisa mais documentada sobre os efeitos dos infra-sons no corpo humano foram levadas a cabo pela NASA, nos idos anos 60, época da corrida espacial. Estudou-se os efeitos que o barulho dos foguetes poderia produzir nos corpos dos astronautas, especialmente durante o lançamento e seus testes confirmaram que a certo volume, os infra-sons causavam várias reações fisiológicas. De acordo com os resultados divulgados pelo pesquisador GH Mohr, uma pessoa exposta a freqüências entre 0 e 100 Hz aos 150-155 dB percebe vibrações na caixa torácica, mudanças no ritmo respiratório, sensação de náusea, dor de cabeça, alterações visuais, tosse e fadiga. Pesquisas subsequentes determinaram que a freqüência em que ocorrem alterações visuais, em conseqüência da vibração do globo ocular, é da ordem de 19 Hz. Os efeitos dessa freqüência específica foram confirmados ainda pelo engenheiro Vic Tandy, em sua tentativa bem sucedida de desmistificar a ・assombração・ que perturbava a paz de seu laboratório na cidade inglesa de Coventry. As aparições do ・fantasma・ eram marcadas pela sensação de desconforto e vislumbres de uma vaga silhueta acinzentada... Quando foi determinado o ponto em que tais aparições aconteciam, Tandy percebeu que correspondia ao local onde havia sido instalado um novo exaustor que, após medições, percebeu-se vibrar na freqüência dos 18,9 Hz... Esse evento fez com que o engenheiro vislumbrasse a possibilidade de pesquisar outros locais ・assombrados・ a fim de detectar a freqüência dos 19 Hz, a que provoca alterações visuais pela vibração do globo ocular. Acredita ele que outras sensações como arrepios na nuca e a de mudanças na temperatura ambiente podem estar associadas ao efeito dessa freqüência específica no corpo humano.

Ah... uma luz ao fim do túnel... então é isso! Fenômenos que a ciência não admite como realidade, a famigerada PES ・ Percepção Extrasensorial pode acontecer apenas pelo contato com freqüências abaixo de nossa capacidade auditiva. Estaríamos portanto à mercê desses efeitos quando freqüentando um terreiro de Umbanda por exemplo? Bastam medições... atabaques e surdos em batidas feéricas a fim de produzir sons que estimulam o transe e a perda dos sentidos, a ・alegria do terreiro・! E os mantrans orientais? Sons nasais, OM contínuo... numa freqüência baixa, fazendo nosso interior tremer, a vibração primeva do cosmo... Parece que uma chave para a compreensão do que se passa além dos 5 sentidos básicos foi achada. Assim, não adianta negar que fenômenos que fogem do hodierno ocorrem. Não adianta fechar-se para o desconhecido na esperança de que nada de paranormal ocorra. Há a necessidade sim de estudos sérios que busquem respostas às questões... e acima de tudo, o respeito para com aqueles que experimentam tais fenômenos. Afinal, ninguém está isento de tomar contato com freqüências infra-sônicas e experimentar os arrepios na espinha e visões fantasmagóricas...・Ora direis ouvir estrelas・... e até mesmo elas são audíveis. Os radio-telescópios que captam o som de suas entranhas continuamente dão mostras de que o Universo é uma grande sinfonia e já não somos surdos às harmonias celestes... E o místico em suas evocações mântricas já não pode ser tomado por apenas um lunático quando alega tomar contato com outras dimensões... O fato é que estamos imersos num oceano de vibrações e a mente humana avança a descobrir que o verbo se fez carne, ou, pelo menos, que a carne sofre os efeitos do verbo... por volta dos 19 Hz.

Lígia Amorese Gallo

domingo, 17 de maio de 2009

Ser Ateu é...

Tem gente que não sabe o que é ser ateu... mas basicamente ser ateísta é não precisar de um Deus nem de deuses para justificar os próprios atos. Não é simplesmente "negar" a existência de deus/deuses. É assumir a responsabilidade de estar vivo e viver conforme a própria consciência, fruto do funcionamento cerebral.

Ser ateísta portanto é não ter vínculos com outras realidades supra-humanas, é estar livre para decidir por si mesmo, sem medo de estar indo contra ou esperando estar a favor de algum tipo de supra-consciência à qual se deva obediência. É reduzir as crenças a um número limitado delas, focadas no aqui/agora. É não se saber ligado aos demais por algum tipo de poder sobrenatural mas simplesmente pelo fato de "apenas" ser um ser humano convivendo entre os demais seres humanos e de acordo com as leis humanas. É não esperar recompensa por seus atos senão aquelas que outros seres humanos possam oferecer como recompensa.

Ser ateísta é ser "simples", é ter cortado todo excesso, é enxergar a vida pela perspectiva humana, sem a necessidade de deificá-la nem a necessidade de deificar a que quer que seja. E lógico que ateístas têm Fé, Fé em si mesmos mas ela não os "cega", pelo contrário, ela faz abrir os olhos para o que está acontecendo a fim de que se tomem as medidas necessárias, sem acreditar numa outra justiça maior do que aquela que possa ser levada a cabo por si mesmo ou pelos desígnios humanos.

Da mesma forma como não há provas da existência de Deus e, caso alguém afirme categoricamente que Ele existe o ônus da prova recai sobre quem afirmar, também não há provas de que ele "não existe" e nenhum ateísta se engajará de buscar as provas de uma "não existência", uma vez que não há meios de provar que algo não existe...

Contudo, há meios sim de aceitar a existência de algo que
comprovadamente existe. Portanto, para um ateu deixar de ser ateu bastaria que alguém provasse a existência de Deus, coisa essa que os teístas em sua Fé em Deus ainda não foram capazes de provar... e aí? Qual o problema em ser Ateu? Se para que Deus exista basta que se creia nele, alguém que negue a necessidade de crer em Deus não pode ser tomado como portador de uma Fé cega... apenas alguém não preocupado com o que não faz falta.

Faça uma experiência sem medo: tire Deus/deuses do palco da
existência e veja, perceba o que sobra. O que sobra? A mesma vida de sempre... contudo muito mais "ameaçadora" pelo fato de exigir a própria tomada de decisões ao invés de depositar-se tais decisões em alguém ou algo além de "si mesmo". Perceba que não tem mais ninguém observando seus atos além de você mesmo e assim qualquer coisa que você faça estará de acordo apenas com a sua vontade, não a vontade de um ser superior a você. Pense nisso.

A crença em Deus antes de ser uma "necessidade" é o maior dos vícios. Ela expressa imaturidade e a necessidade de um Pai guiando os próprios passos de quem estiver "viciado" em acreditar num "pastor", num condutor. É alienante e altamente prejudicial ao desenvolvimento pleno da potencialidade humana... Visto dessa perspectiva, um Ateísta só perdeu o vício, como alguém que deixa de fumar, como alguém que deixa de beber, como alguém que deixa de se drogar e entorpecer... Um ateísta "sabe" que ele é o responsável por qualquer atitude que venha a tomar. Daí a opção pela Ética acima de tudo.

Há várias questões para as quais Deus e a espiritualidade é a resposta, e que de certa forma quem tentar respondê-las pode vir a fundamentar-se na crença em nele ou em espíritos fim de validar as possíveis respostas... vamos a algumas delas, numa espécie de FAQ:


Como a Matéria sem vida cria vida? A resposta seria: através da vontade de Deus? Ou...

Um segredo? Qualquer porção de matéria que contenha os ingredientes necessários ao desenvolvimento de organismos simples, ganha "vida" no correr do tempo sob as condições propícias ao desenvolvimento de tal "vida". O Universo parece ser apto ao desenvolvimento de vida, a matéria parece
ser apta a desenvolver seres conscientes em algum ponto da jornada evolutiva... mas e aí? Acrescentar um ingrediente a mais em algo não faz desse ingrediente uma necessidade... a menos que se prove que "SEM" tal ingrediente a vida não se forma... coisa que parece que está prestes a ser comprovada, ou seja estamos prestes a comprovar que bastam os ingredientes e as condições necessárias ao surgimento da vida para que ela simplesmente "ecluda", apareça. Mas isso é prova da existência de Deus ou apenas uma das várias
qualidades da matéria que ainda não conhecemos totalmente?

Como se dá a Percepção extra sensorial? A Espiritualidade parece Ter a resposta mas... 

Somos animais como todos os demais. Temos sentidos que ainda não conhecemos. Alguns animais têm sentidos
mais apurados que outros... percebem variações sutis na atmosfera, vibrações sutis na forma de sons inaudíveis mas que podem ser sentidos pelas partes moles ou ocas do organismo. Nós percebemos estes sons inaudíveis... percebemos o campo magnético da Terra, percebemos de que forma está tudo interligado na teia da vida... mas
isso é prova de que Deus existe, ou apenas uma das condições de se estar vivo e imerso num sistema fechado onde tudo co-participa e é co-dependente? A suposta "ligação" entre as pessoas a quilômetros de
distância pode ser simplesmente fruto de algum sentimento que as une e isto sim deveria ser estudado, a forma como o Amor faz romper barreiras entre o Eu e o Outro... mas o Amor é prova da existência de Deus? Ou é algo "imanente" na própria "vida"? O que é o Amor para que possa ser confundido com um "algo mais" além de nós mesmos?


Como a Matéria sem propósito criou o propósito e a ordem? 

Mas, quem "vê" tal ordem? Quem "vê" tal propósito senão nós mesmos? O universo é um caos que nós percebemos ser ordenado... a inteligência é capaz de ver tal ordem... mas isso é prova de que Deus existe? Ou a necessidade de "ver" tal ordem nasce da necessidade de compreender o caos? "Ver" padrões indica que algo está sendo compreendido, nosso
cérebro funciona assim, ele seleciona partes desconexas e as agrupa conforme as semelhanças encontradas entre elas... onde está Deus na ordem que nós mesmos emprestamos ao Universo?



E a Reencarnação... como se explica sem a existência de espíritos e Deus? 

Hum... Você sabe como o cérebro funciona?
Nem os cientistas sabem completamente... mas estão pesquisando ao invés de atribuir as qualidades desse órgão à existência de um Deus ou de uma consciência migratória. Sabe-se hoje em dia que tudo o que experimentamos nasce do equilíbrio físico-químico das reações que desencadeiam os pulsos elétricos a serem transmitidos em cadeia pelos
neurônios dentro do cérebro. Ampute-se uma parte disso, lesione-se alguma região lá dentro da cabeça de um indivíduo e a "personalidade" diferenciada por algum ou outro atributo já não existe mais! Leia o Erro de Descartes do Damásio, leia O Mistério da Consciência, O Sentimento de Si também dele. Não estou "mandando" que se leia... é apenas uma sugestão.



Assim só para concluir, ser Ateu não é negar a maravilha, o
grandioso, o magnífico. É simplesmente não precisar de explicações com base na "fé cega" para algo que carregamos conosco mesmos...
Tire Deus agora e o que sobra? O Universo, toda a maravilha e beleza que nós experimentamos a partir de nossa inteligência e nossa capacidade de vermos padrões e ordenação. Não há palavras para se descrever o fato de sermos partes disso tudo e termos inteligência para perceber a grandiosidade e a infinidade contida em cada porção mínima de matéria. Quem já tenha lido sobre a física de partículas, sobre Mecânica Quântica já faz uma idéia: A maravilha não para no átomo, ela adentra ainda mais esse mundo diminuto estendendo-se para além dos limites de nossa compreensão. Para quê Deus e tudo o que nos condicionamos a acreditar que Ele represente para nós? Já não basta estarmos vivos e experimentando o mundo? Para que um regente supremo de nossos atos além de nós mesmos? E se tudo é imensamente maior do que percebemos, para que cedermos a uma certeza que é a Fé na existência de Deus?
Percebe? Ser ateu é ater-se ao presente e simplesmente vivê-lo... é estar ancorado no meio do nada que se faz tudo quando é observado e vivenciado a partir da inteligência seja ela humana ou animal, seja ela inerente à matéria ou não, não importa.

Lígia Amorese Gallo
Dez/2003 

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Criando Deus

O que é inerente ao gênero humano, pertencente ao grupo dos primatas,é o respeito à hierarquia. Tudo o que viemos criando desde os primórdios da civilização tem por base o respeito à hierarquia. Isto vem sendo estudado a partir do comportamento dos grandes símios, caso dos gorilas e orangotangos. Eles têm a liberdade de elegerem um soberano e seguem-no fielmente. Fêmeas dão preferência a ele para procriar, existe sempre uma fêmea predileta, existem outras que lhe rendem tributos, assim como ao "soberano" do grupo, que disputa seu título com outros em brigas para provar quem é o mais forte dentre todos..Assim com bases no "seguir as normas hierárquicas", nós humanos criamos nossos representantes na figura de Reis, Patriarcas,Dirigentes, Presidentes... já que temos esse princípio de obediência ao soberano em nossos códigos genéticos. Ao nos estruturarmos em grupos maiores, nós humanos vimos que em certas circunstâncias ficaria difícil eleger um soberano supremo que fosse obedecido fielmente pelas demais tribos sem contestação. Como a superioridade acabou sendo frágil senão em termos absolutos, a idéia de um DEUS soberano foi implantada. Ao abraçarmos a idéia de um Pai criador, um Deus, ou Deuses acabamos com este problema inerente à necessidade humana de ter um superior e temos condições de "eleger" não mais por provas de força física, aqueles que teremos por representantes desse Deus, ou de tudo o que é bom e perfeito (portanto não humano) na Terra.

Ao afirmar-se que o ser humano tem por base a busca pela felicidade, a paz entre os membros, incorre-se no erro de não prestar atenção ao que é marcante no gênero humano: a vontade de ser líder, de comandar, de ter poder sobre os demais membros da sociedade. Aos homens cabem as provas físicas de poder, sejam elas com bases apenas na exteriorização da força bruta( por parte daqueles que tenham dotes físicos para tanto ), até da "força intelectual", que prevalece entre aqueles espécimes humanos não tão bem dotados fisicamente a ponto e vencer brigas, acabando por vencê-las pela inteligência.Uma forma encontrada pelos fracos que querem ser fortes e seguidos,tem sido criar normas e regras que visem fazer a humanidade "irmã" em torno de uma idéia base. Quando essa idéia base é Deus, somos irmão sem Deus e obedecemos as leis criadas pelos homens fracos física ou intelectualmente, em nome desse personagem Deus a fim de "nivelar" as diferenças entre as castas humanas, que todos reconhecem ( propensão genética ) que existem mas passam a não admitir a existência a partir do momento que se consideram "irmãos em uma causa"!

Ao acreditarmos em Deus Pai, Deus Ciência, Homens Deuses, estamos apenas seguindo o plano humano para aceitar as limitações e a própria condição de fraqueza "por não ser forte o suficiente para ser soberano do grupo", ou no caso das mulheres "a fêmea predileta"!Isso é a simplificação da simplificação em termos do que acontece nas sociedades, mas os exemplos são tão claros que me é impossível aceitar tal argumento como não mais do que "a mais cândida verdade"quando falamos da necessidade de termos estruturas de pensamento que visem o "nivelamento" no mundo. Vivemos aquilo que temos em nós, e quê acreditamos, e as sociedades falam disso o tempo todo. Tudo o que pensamos, seja em termos religiosos, políticos, filosóficos apenas validam esta necessidade de elegermos nossos líderes quando não estamos em condições de pleitear tal liderança, ou quando exercemos a liderança sem sermos merecedores dela.Um exemplo típico disso pode ser encontrado nos que criam seitas religiosas ( ou não ) "do nada" e que angariam seguidores apaixonados. Estes criadores de seitas não raro apresentam uma aversão ao gênero humano por simplesmente não fazer parte do "time de frente", por não ser o mais belo, por não ser o mais inteligente, por não poder vencer aos demais em exibições de poder, por ser de uma casta ou raça considerada inferior. Estes "criadores de seita"então, munindo-se de seguidores que considerem inferiores a si mesmos, iniciam movimentos que visem a inversão dos valores que os excluem do poder na sociedade à qual pertençam. Aos seguidores detais homens, acaba havendo a tarefa de enaltecer-lhes as virtudes afim de validar a adoração que rendam a eles, ao que eles pregam.Normalmente os medíocres agrupam-se em seitas deste tipo e não raro chegam ao poder e ao controle de grandes massas humanas. Vide exemplos nas sociedades Fascistas e em regimes onde prevalece o Fundamentalismo Religioso à frente dos representantes políticos.

Num lado oposto, convém destacar, existem aqueles que não têm tanto interesse pelo poder, mas seus feitos pelos demais do grupo são reconhecíveis e admiráveis. Estes são os líderes natos ( alguns tornaram-se pilares das religiões vigentes no mundo), ou simplesmente reis que fizeram seus seguidores alcançarem vitórias memoráveis e que são aclamados e idolatrados. Não raro, esses representantes dignos que são elegidos pela sua capacidade latente e inerente em si mesmos,são mortos e espezinhados por aqueles que se sentem "invadidos" e ameaçados em sua pretensa e inválida ascensão ao poder. Estes medíocres, munindo-se de conceitos medíocres que lhes validem as ações medíocres, matam e trucidam todos aqueles que lhes ponham à mostra a própria inferioridade "escondida" dos olhos dos demais pelas regrinhas criadas e pelas "verdades" que criam. Os que os seguem e professam suas regras são da mesma categoria.Assim eu não considero válido o argumento de emprestar ao ser humano virtudes tais que o façam "buscar ideais de beleza e felicidade" para todos. Antes, todos buscamos o poder, seja através de nossos próprios feitos, seja através daqueles ou daquilo em que acreditamos que nos façam alcançar tal poderio. Os exemplos disso podem ser encontrados até em listas de discussão. Há exemplos inclusive no que se considera "submundo das drogas". Em seus cartéis, estes que vivem à margem da sociedade, criam seus próprios líderes e seus representantes. O Deus nesse caso passa a ser o Dinheiro, sendo a riqueza uma das formas mais convincentes de demonstração de poder...como já diziam, quem não tem cão, caça com lagartixa e cada um busca para si as crenças que validem sua ânsia de "ser o bom, o tal, o maioral". Os meios pelos quais alcançam esse "status" varia conforme o que cria os grupos.

Vale matar, vale roubar, vale destruir, excluir, traficar, burlar...tudo o que é errado faz parte da vida humana, mais do que todas as virtudes enumeráveis. Isso porque as virtudes e sua aceitação, são apenas consequências diretas da necessidade de "acalmarem-se os ânimos" daqueles que se considerem inaptos a pleitear o poder por si mesmos. O que vale, no final das contas é combater. Quem não se sente forte para lutar por si mesmo, apela para conceitos que validem sua inferioridade em bases aceitáveis e isso é tudo.Visão tenebrosa essa, mas é apenas um retrato realista da verdadeira condição humana. Pode-se ver algo de bom nisso tudo, afinal sobrevivemos... mas isso devemos a quem criou o conceito de Deus,desde lá nos primórdios... só assim pudemos sobreviver e chegar até os dias de hoje "ilesos de nós mesmos". Não que isto valide a idéia da existência de um Deus soberano. Antes, valida a idéia de que devemos a nossa sobrevivência frente os nossos instintos de destruição e auto-aniquilamento, pela prática da Fé em um ente supremo e seu séquito que permitiu que NÃO nos matássemos uns aos outros de forma mais "acintosa".Até que para primos de Gorilas fizemos bonito...

Lígia Amorese,
maio 2002